Fotografar em RAW Vale a Pena? #DicasDoLucas #3

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Resposta rápida e objetiva: sim, fotografar em RAW vale a pena.

Resposta longa, analisando diversos fatores: depende.

Se você precisa de uma imagem pronta rapidamente, mesmo que pior, e não tem paciência/tempo/vontade de editar as fotos, fotografar em JPG vai ser melhor para você. Se o resultado final tem mais importância do que tudo, fotografe em RAW.

Fotografar_em_Raw_Antes_Depois_RAW_Tratado

Fotografia capturada em RAW e tratada no Lightroom.

Vamos lá. Acredito que, se você souber o que está ganhando e o que está perdendo ao fotografar em RAW, vai ser fácil de escolher. Vou elencar as vantagens e desvantagens de Fotografar em RAW abaixo.

Importante: cada marca tem um tipo, uma extensão diferente para o seu arquivo RAW. A Canon chama de .CR2, a Nikon de .NEF, a Pentax de .PEF, a Fuji de .RAF, Sony de ARW, SRF, SR2. Até a Adobe tem um formate próprio de RAW, o .DNG. Cada modelo de câmera escreve os dados no RAW de um jeito diferente. Caso o seu RAW não esteja sendo lido no seu programa de edição, provavelmente a sua câmera é mais nova do que a versão do programa. A Adobe, por exemplo, oferece a leitura de RAWs através do Adobe Camera RAW (ACR) e Lightroom. De tempos em tempos ela lança atualizações que contém, entre outras coisas, a capacidade de ler os RAWs de determinados modelos de câmeras que foram lançadas recentemente.

Se ficar com alguma dúvida, me escreva aqui nos comentários.

Desvantagens de Fotografar em RAW:

Arquivo muito maior (entre 3 e 7x)

No exemplo da câmera que tenho hoje, Canon 6D, que tem 20.2 MegaPixels, os arquivos RAW tem aproximadamente 21MB, enquanto os arquivos JPG produzidos por ela ficam com mais ou menos 4MB. São 5x mais dados em RAW, ou seja, seus cartões de memória precisam ser 5x maiores para fazer a mesma quantidade de fotos. Isso quer dizer que, para fotografar um casamento, por exemplo, considerando 5 mil fotos, você vai ter em torno de 100GB de dados, contra 20GB em JPG – é a diferença entre precisar de 4 cartões de 32GB ou apenas 1 cartão. E não esqueça dos seus HDs também.

Exige Cartões de Memória e Computadores Mais Rápidos

Fotografar_em_Raw_Vale_a_Pena_PC_Edicao

Quando fazemos uma foto, ela não é prontamente descarregada no cartão de memória. Antes de ir para lá, ela é salva em uma memória rápida e temporária, que em computação é comumente chamada de buffer. Se você olhar no canto inferior direito do viewfinder da sua câmera, vai ver um número entre colchetes. Aquele número ali, no meu caso, [13] quando escolho somente RAW e [62] para JPG, representa o número de fotos que cabem no buffer da minha câmera. E para que serve o buffer? Serve para salvar as fotos enquanto elas ainda não foram escritas no cartão de memória e impedir que a câmera trave quando eu fizer um número grande de disparos sem parar.

Se o cartão de memória que você usa for lento, a câmera vai perder muito tempo para gravar as imagens no cartão e rapidamente o buffer vai encher e a câmera terá de travar o disparador, impedindo que novas fotos sejam produzidas. Se o cartão de memória for rápido (classe 10 ou acima), o buffer não consegue encher, já que a velocidade com que ele é esvaziado para o cartão de memória é rápida o suficiente e, assim, a câmera faz fotos sem travar.

Ao fotografar em RAW, o problema do buffer cheio acontece com muito mais facilidade, já que cabem menos fotos no buffer da câmera e o arquivo a ser gravado no cartão de memória é muito maior. Arquivos maiores levam mais tempo para serem escritos. Se você vai fotografar em RAW, esqueça os cartões vagabundos. Aliás, nunca compre cartões baratos, o risco de perder as fotos aumenta. Procure ficar nas marcas conhecidas – Sandisk, Lexar e Kingston – e evite fornecedores com preços muito abaixo do mercado.

O mesmo problema acontece quando você for tratar os arquivos no computador. O arquivo precisa ser lido do HD para a memória – quanto mais dados, mais tempo leva esse processo. O arquivo precisa ser processado – quanto mais dados, mais processamento. Se o seu PC de edição for lento, não tiver um SSD para ajudar e pouca memória RAM, você vai sentir que o problema se agrava quando você está editando um arquivo RAW. Se for um RAW de uma câmera com muitos megapixels – a Canon 5DsR tem 50MP, por exemplo -, você vai sofrer.

Precisa de Tratamento (ao menos ser convertido para uma imagem jpg)

Fotografar_em_Raw_Antes_Depois_Fluxo

Processo simplificado do que acontece após o clique para RAW e JPG

Nem todo mundo sabe, mas os arquivos em RAW não são imagens. Os RAWs são apenas conjuntos de bits encapsulados. É como se eu fizesse um Arquivo ZIP de pixels e textos e chamasse de IMG_0001.CR2 (ou .NEF, para os Nikonzeiros). Os arquivos em RAW precisam ter seus dados interpretados e ordenados da maneira correta para que possamos chamá-los de imagem. Quando abrimos um RAW no Lightroom, estamos vendo essa interpretação de dados – essa interpretação adiciona contraste, saturação, nitidez, balanço de brancos, diversos filtros.

Quando olhamos a foto no LCD da Câmera, estamos vendo um JPG gerado pela câmera a partir do RAW salvo no cartão de memória. Esse JPG gerado na câmera tem diversas interpretações e ajustes que foram adicionados. Já aconteceu para você de abrir uma foto em RAW no Lightroom e, alguns segundos depois, ela mudar de cor? Isso acontece porque, quando o RAW é carregado no Lightroom, ele inicialmente lê e exibe aquele JPG produzido pela câmera e após faz a sua interpretação do RAW para ser mostrado na tela. Interpretações diferentes dos dados do RAW produzem imagens diferentes.

Por isso chamamos o processo de abrir um RAW de Conversão. Trata-se de um processo de interpretação e ajuste de um dado para outro tipo de dado, uma conversão. Mesmo que você não queira editar nada na sua foto, apenas postá-la “como saiu da câmera”, precisa converter os dados para uma imagem, como o JPG.

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Vantagens de Fotografar em RAW:

Maior Latitude de Exposição

Fotografar_em_Raw_Antes_Depois_Latitude

Nessa foto, seria melhor se a câmera tivesse uma latitude de exposição ainda maior para representar altas e baixas luzes. Ainda assim foi possível recuperar algumas áreas estouradas. Capturada em RAW.

 

Para entender qual é a vantagem disso, precisamos saber do que se trata a Latitude de Exposição. Imagine que você vai fotografar uma cena que em parte há sol e em outra parte há sombra. No nosso olho, conseguimos observar a parte com sombra com detalhes e a parte com sol com perfeição. Na câmera isso não acontece. Por quê? Pequena Latitude de Exposição.

Latitude de Exposição é a capacidade que a câmera tem de representar com perfeição, na mesma imagem, zonas de altas e baixas luzes (ou, no caso do nosso exemplo, a parte com sol e com sombra da foto). Se temos uma cena com uma diferença grande de altas e baixas luzes, você deve escolher – através de ISO, Abertura e Tempo de Exposição/Velocidade – qual dessas áreas você deseja representar corretamente, já que a sua câmera não consegue representar tamanha diferença de exposição na mesma imagem. A outra área não vai poder ser mostrada com perfeição por causa da falta de latitude de exposição: teremos a área com sol bem exposta e a área com sombra escura demais; ou a área com sombra bem exposta e a área com sol com clara demais.

Fotografar_em_Raw_Antes_Depois_Latitude_Crop

Crop para o detalhe da correção das áreas superexpostas. Em raw, com maior latitude de exposição, isso é possível.

 

E como fotografar em RAW pode tirar vantagem disso? O RAW é um arquivo muito maior do que o JPG, logo, possui muito mais informação para ser trabalhada. E essa informação é essencial quando precisamos “salvar” áreas superexpostas (claras demais) e “recuperar” áreas subexpostas (escuras demais). Quando clicamos somente em JPG, acontece um processo chamado compressão com perdas, que descarta informações que não são úteis para a visualização a olho humano, mas que podem ser muito importantes para recuperar dados – como fazemos constantemente no tratamento de imagem.

Quando vamos processar um arquivo em RAW, podemos aumentar a latitude de exposição exibida na imagem clareando as partes escuras e escurecendo as partes claras da foto. Usando o Lightroom, por exemplo, basta levar os controles de Brancos e Realces para valores negativos e os controles Pretos e Sombras para valores positivos (se você acha que precisa de mais conhecimento em tratamento de imagem, tenho um Curso Online de Lightroom em que mostro várias técnicas fundamentais para quem quer editar melhor e mais rápido as suas fotos)

Fotografar_em_Raw_Antes_Depois_Latitude_Ajuste_Lightroom

Ajuste no Lightroom para recuperar estourados e pretos muito escuros

Balanço de Brancos pode ser mudado com facilidade depois

Por definição, o Balanço de Brancos é o ajuste que faz com que os elementos brancos na foto sejam representados realmente brancos.

Qual a cor de uma parede branca? A cor da parede branca é a cor da luz que a ilumina. Jogue uma luz azul na parede branca e ela ficará azul. Jogue uma luz vermelha, e teremos uma parede vermelha agora. E como a câmera saberá qual a cor da luz do local que estamos fotografando? Através do Balanço de Brancos.

Ajustes de Balanço de Brancos presentes no Lightroom para uma foto em RAW

Ajustes de Balanço de Brancos presentes no Lightroom para uma foto em RAW

Ao fotografar em RAW, fica registrado no arquivo qual foi o balanço de brancos escolhido na hora da foto, mas qualquer outro pode ser escolhido DEPOIS; E o resultado final da foto é exatamente o mesmo se ajustamos na hora ou depois o balanço de brancos. Faça o teste com a sua câmera, fazendo fotos em diferentes balanços de branco nas mesmas condições de luz, e depois importe os arquivos em RAW no Lightroom e coloque todos eles no mesmo valor de Balanço de Branco (EB – Equilíbrio de Brancos – ou WB – White Balance). Ficarão exatamente iguais.

Se você fotografa em JPEG, algumas dessas informações são descartadas, e será muito mais difícil ajustar as cores corretamente caso você erre o balanço de brancos na hora da foto.

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Maiores e Melhores Possibilidades de Alteração no Tratamento de Imagem

Fotografar_em_Raw_Antes_Depois_RAW

As cores do céu ficaram muito mais intensas e com muito mais detalhe na foto processada a partir do RAW

 

Assim como o ajuste das altas e baixas luzes e balanço de brancos com muito mais perfeição, fotografar em RAW possibilita utilizar melhores algoritmos de nitidez, redução de ruído, controles mais precisos das cores, etc.

Fotografar_em_Raw_Antes_Depois_RAW_vs_JPG

Nessa comparação, vemos mais cores e mais detalhes no céu corrigido na foto capturada e processada em RAW

 

Quando fotografamos em JPG, a câmera aplica uma série de ajustes já direto na câmera. Esses ajustes, entre eles nitidez, saturação, contraste, redução de ruído, são ajustes pré-definidos e que, lógico, não ficarão bons e como você gostaria em todas as fotos. Em relação a redução de ruído, os algoritmos melhoraram bastante nos últimos anos.

Quando fotografamos em JPG, deixamos a câmera fazer esses ajustes para nós. Além de a câmera não saber qual resultado queremos, ela não um Intel i7 com 16GB de RAM para processamento. A câmera tem a tecnologia do ano em que foi fabricada; se você tem uma câmera de 2011 e fotografa em JPG, está usando a tecnologia existente em 2011, e não de hoje, para tratar as suas imagens. Se fotografar em RAW, as técnicas de edição serão as da versão atualizada do seu programa de edição.

 

Abaixo, nessa tabela, temos um resumo das vantagens e desvantagens de se fotografar em RAW e em JPG. Perceba que há muitas vantagens em se fotografar em JPG. Mas, se você quer a melhor qualidade e as maiores possibilidades, fotografar em RAW é o caminho.

_Fotografar_em_Raw_Antes_Depois_Tabela_Raw_vs_JPG

O que é mais importante para você na Fotografia?

Para Complementar



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Você já fotografa em RAW? Conte a sua experiência abaixo.


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  • Kadesx

    Ótimo artigo!